Era um dia normal na praia. O sol lá em cima no céu, tão forte que se poderia fritar um ovo no asfalto. As crianças brincavam na areia, protegidas por enormes guarda-sóis, as mulheres tomavam banho de sol e os homens tomavam cerveja, conversavam e olhavam para as mulheres.
Mas bem pra direita, no finzinho da praia, só havia duas pessoas. Um poeta sentado numa pedra, com um bloquinho e um lápis na mão, olhando para o mar em busca de inspiração. E um homem esfomeado, agachado na areia procurando restos de comida de uma festa que acontecera no dia anterior.
Então, o homem esfomeado parou de procurar por migalhas e também encarou o mar, com um misto de assombro e fascínio no olhar, pois as águas estavam se afastando como se uma tsunami estivesse a caminho. Os dois ficaram olhando paralisados enquanto uma onda enorme vinha em direção à praia. Mas não era uma onda comum, ela vinha lentamente, e quando chegou na praia desmanchou-se delicadamente, deixando na areia uma linda espuma, que lembrava algodão doce e uma sereia.
Os dois homens se aproximaram e perceberam que ela estava desacordada. Então começaram a discutir o que fazer com ela. O poeta, encantado, dizia que a colocaria em um aquário em sua casa, e ela seria sua musa inspiradora. E o esfomeado, que não parava de olhar para a cauda da sereia, achava que deveriam assar a cauda, que parecia muito suculenta.
Enquanto eles discutiam, a sereia acordou, olhou para os homens com interesse, seus lindos olhos azuis brilhavam de curiosidade. E quando uma onda a alcançou, ela mergulhou, sem que os homens percebessem. Quando eles finalmente notaram que ela não estava mais ali, só puderam ver os cabelos pretos da sereia sumindo em uma onda.
Escrito pela Larissa de 2008;
editado pela Larissa de 2011.