quinta-feira

O tempo



Não é estranho o modo como o tempo passa. Muitas vezes tão rápido que nem percebemos, outras vezes demora tanto que parece que o relógio congelou. Fico tentando imaginar como seria o tempo em forma humana, e a imagem que me vem à mente é um garoto magricela com o rosto cheio de espinhas. Aquele tipo de garoto que acha que diversão é incomodar todos ao seu redor.
Quando o “garoto-tempo” percebe que estamos esperando por algo, ele acha divertido prolongar ao máximo a nossa espera, tentando nos deixar cada vez mais nervosos, angustiados, impacientes. E, ao ver o estado em que nos deixa, ele aponta para nossa cara e ri.
E quando estamos nos divertindo, querendo que aquele momento continue por bastante tempo esse garoto, invejoso como ele só, passa correndo, corre o mais rápido que pode, para que nossa diversão termine logo, e só então ele fica satisfeito novamente.
Mas, na minha opinião, o Tempo é um menino triste. Triste sim, pois ele é solitário. Ele vê tudo acontecendo ao seu redor, pessoas se divertindo, se preocupando, agradecendo, pedindo, namorando, mas com ele nada acontece. Ele está condenado a ficar sempre num canto, espiando, aquele garoto que todos olham, apontam dizendo: “Olha aquele garoto espinhento!” e isso é tudo.
Imagine como é você ver todos se divertindo, rindo, conversando, e você não poder se juntar ao grupo, ter de ficar sentando só olhando. Provavelmente também iria querer que o tempo passasse logo.
E, bom, acho que esse menino não gosta de ver os outros de férias, sem preocupações. Esse é o único jeito de explicar como minhas férias passaram tão rápido, e eu não fiz nem metade das coisas que tinha planejado.
A culpa é do garoto espinhento...