sexta-feira

Tempo de despertar


Procurando pela definição do Ano Novo alguns dias atrás,achei algo interessante:
  
O Ano-Novo ou Réveillon é um evento que acontece quando uma cultura celebra o fim de um ano e o começo do próximo. Todas as culturas que têm calendários anuais celebram o "Ano-Novo". A celebração do evento é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo francês réveiller, que em português significa "despertar".

Réveillon significa despertar, alguém sabia disso? Nunca tinha ouvido falar do seu significado, e achei maravilhoso. Ao comemorar o réveillon, mesmo sem saber, comemoramos o despertar de um novo ano, uma nova etapa em nossas vidas.
È a hora de recomeçar, mudar o que não está bom, continuar com o que já está, procurar coisas novas, aprimorar nossas vidas. É o tempo de despertar...

Nesse ano que se inicia, quero desejar a todos muita paz, saúde, amor, felicidade, fé, sucesso, enfim, tudo que é necessário para que a vida de cada um de nós desperte para todas a s oportunidades, alegrias e bênçãos que nos esperam.



 Feliz Ano Novo!

segunda-feira

Resoluções


Todo fim de ano é a mesma história. As pessoas fazem listas com resoluções, coisa pra fazer durante o ano, coisa pra não fazer, coisas que esperam que aconteça... Resolução clássica: Perder peso – a pessoa teve o ano inteiro pra fazer isso, não fez, e agora resolve que vai fazer no próximo ano, sem desculpas; mas o que geralmente acontece é que nada muda.
Por isso esse ano, resolvi que não quero listas, simplesmente não vejo mais sentido para isso. Pra que tanta pressão? Já não basta toda essa rotina estressante, temos que nos estressar um pouco mais com listas de coisas para cumprir? Se eu realmente quiser fazer algo, não é uma lista que vai mudar a minha opinião, e se eu não quiser, bom... aí eu não farei.
E há também listas de coisas que se espera que aconteça durante o ano, aí eu pergunto: pra quê? Uma lista não vai tornar seu desejo real, não importa o que “O Segredo” te diga, você só consegue algo se correr atrás. E pra que tentar adivinhar o futuro? A surpresa é tão mais interessante! É tão quando algo inesperado (e bom) acontece, afinal, o que seria a vida sem surpresas...
E é por isso que no ano que vem simplesmente vou viver, sem resoluções ou grandes expectativas. Vou esperar por surpresas a cada dia, por alegrias e tristezas. E não me preocuparei tanto com o futuro, ou se fiz que devia, ou como vou estar no final do próximo ano, até porque, isso de nada adiantaria.

Pra dizer a verdade, acho que tenho uma resolução, mas é só uma, umazinha, bem pequeninha... Ser FELIZ!


E que venha 2011.

terça-feira

A dança


Chegou o grande dia. Depois de tanto esforço, tantos ensaios, é a hora de mostrar o resultado. A menina se concentra, alonga uma perna, e sorri. Sorri ao pensar que em alguns segundos estará no palco. Ela alonga a outra perna, ainda pensando na emoção de aparecer em frente a tantas pessoas. Solta a perna. Chega de alongar...
Ela checa o figurino. Tudo certo! Coloca a sapatilha. Ah, a sapatilha, ela se sente tão bem com a sapatilha, é como se seu pé e ela fossem um só, às vezes parece que seu pé sente falta dela, pede por ela. E quando a menina finalmente coloca a sapatilha, ela sente que agora está completa. Estou pronta!
 -Agora é a sua vez!
-Está bem, já estou indo.
A menina sobe no palco, e, enquanto as cortinas se abrem, ela sente o sangue – não, a adrenalina – correndo por todos os seus músculos. E ela se sente mais viva do que nunca, nesses segundos antes de a música começar, é quando ela tem certeza de que é isso que ela quer fazer durante toda a vida, é isso que dá sentido a sua existência, isso que a define: a DANÇA.
E então, quando a menina ouve a primeira nota, seu corpo começa a se movimentar no ritmo perfeito, ela não precisa pensar no que fazer, ela apenas faz, é natural, é como deveria ser. Ela sabe que todos os olhos estão nela agora, que o silêncio absoluto no grande teatro é em função dela, e ela gosta disso, ela vive para isso...
E enquanto ela dança, ela se sente tão leve, que, por alguns instantes, acredita que pode voar. E quem assiste tem a certeza: ela PODE voar!

quinta-feira

Cabelos

- Amiga, vou cortar o cabelo, quero ele curto, e estou falando sério. Vai ficar acima dos ombros...
-Ah, não faz isso não! Seu cabelo é tão bonito, não corta.
-Vou cortar sim!
-Tchau cabelos, vou sentir saudades...


 Tive que ouvir coisas assim várias vezes essa semana. E tentei achar uma razão para as pessoas se apegarem tanto aos cabelos. E não estou falando dos cabelos da pessoa, mas de todos ao seu redor. O que leva uma pessoa a ficar triste porque alguém que ela conhece vai cortar o cabelo?
Estamos numa sociedade muito materialista, que valoriza todos os bens, se apega muito facilmente a coisas sem importância. E quando alguém resolve se desfazer de algum desses bens, mesmo sendo parte dos cabelos, as pessoas sentem que estão perdendo algo.
Afinal, eu tive tanto trabalho para ter o cabelo naquele comprimento e agora vou “jogar tudo isso fora”, isso não é certo...
Uma geração que se diz revolucionária, que vai mudar o mundo, tem medo de mudar o cabelo. Acho isso contraditório, não?  Como poderemos mudar nossa sociedade se temos receio de mudar nossa própria aparência, mesmo não sendo de forma definitiva!
Mas, quer saber, o cabelo é meu, o trabalho foi meu. Então, se eu resolver cortar, eu posso, e não adianta ninguém tentar mudar minha opinião. Se eu resolver ficar careca (o que não irá acontecer, não se desesperem) eu vou ficar careca!
Sou livre para decidir como cortar meu cabelo, que roupa usar, que faculdade cursar, com quem me casar. E vou usar essa liberdade! Perdi o medo de arriscar, e, se não der certo, eu tento de novo, e de novo; uma hora esse cabelo se ajeita... E viva a América! E vamos mudar o mundo!!!


Agora só tem um probleminha...como eu ajeito esse meu cabelo?? O.o

segunda-feira

Aprendendo a dirigir, parte 1: Os testes


É com alegria que posso dizer que não sou psicopata, e conheço as cores suficientemente bem para poder dirigir. :D
Ainda não acredito que passei no teste de visão, errei quase todas as letras, e o cara ainda me disse que fui muito bem. Como assim muito bem? Eu estou quase cega e você acha bom??? Tá bom, exagerei...
E o teste psicológico? Tive que continuar uma linha de palitinhos e depois contar. Como a pessoa descobre se estou apta com um monte de palitinhos? Qual a diferença entre os meus palitinhos e os de um psicopata??
E a dúvida cruel: Como a pessoa conta para alguém que ela não passou no teste psicológico? Como disser que ele é mentalmente instável ao ponto de não poder dirigir?
Imaginei uma cena:
-Senhor, sinto muito, mas o senhor não passou no teste. Segundo o resultado o senhor é um psicopata, que poderia facilmente matar alguém a sangue frio, por esse motivo, achamos mais sensato que o senhor não tire a carteira, poderia se irritar com outro motorista e ter uma reação extrema. E... espere...o que você está fazendo?... Largue essa tesoura... Não...NÃOOOO...

É, as vezes minha imaginação me assusta...

sábado

Saudades


Era uma vez uma menininha, a menininha morava em uma cidade bem pequenininha. Ela não gostava da cidade, nada acontecia lá, ela não tinha futuro lá. A menininha sonhava com o dia em que iria embora de lá, ela sonhava com o mundo e todas as suas possibilidades. Queria explorar, viajar, conhecer, desbravar, crescer...
A menininha cresceu, e chegou a hora de ir embora, estudar fora, finalmente iria conhecer o mundo. Ela foi, cheia de esperanças, sonhos, ideais. Sua vida ia ser melhor, ia começar agora, agora ela seria feliz.
Mas a menina percebeu que o mundo não era tão bom assim, que tudo não passava de uma miragem, que crescer era mais difícil do que ela imaginava. Ela teve saudades de casa, da família, dos amigos, do cachorro e, acreditem ou não, da cidade; Isso mesmo, aquela cidade pequenina e monótona, que ela tanto detestava, agora parecia tão boa, acolhedora. E ela quis com todas as suas forças voltar. Mas não podia, seu futuro não estava lá, e ela sabia.
Mas, quando ela voltou para passar um tempo em casa, sentiu saudades do local que, então ela percebeu, se tornara sua segunda casa. Sentiu falta dos amigos, vizinhos, do cachorro dos vizinhos, da rotina...
Foi então que ela percebeu que saudade seria um sentimento constante em sua vida. No momento em que ela decidiu sair para o mundo, e se fixou em outro lugar, ela criou vínculos lá. Nesse exato momento, ela dividiu sua vida em dois lugares, duas partes igualmente importantes. E nesse momento, a saudade virou sua companheira. Não haverá um dia em que ela não sentirá saudades. Quando está na sua cidadezinha, sente saudade do “mundo”, e quando está no “mundo” sente saudade da cidadezinha.
E ela percebeu também que saudade é algo bom, pois significa que existem pessoas em ambos os lugares que significam muito para ela, e que ela gostaria de ter sempre com ela. Significa que ela viveu momentos que guardará para sempre com ela, e que gostaria de revivê-los, ou apenas relembrá-los. Significa que sua vida vale a pena...

 


Esse post é dedicado a todas as pessoas que fazem minha vida valer a pena... Muito obrigada!



"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."
Rubem Alves

quarta-feira

Cansei!


Cansei…
Sabe quando você cansa da rotina; de ter que passar o dia na frente do computador, com pilhas de coisas pra fazer; de chegar em casa cansada, ver aquela bagunça, e lembrar que ainda tem que organizar tudo; de almoçar em refeitórios cheios e barulhentos, ou então sozinho em casa, com a televisão como única companhia. Cansada de tensão, preocupação, ansiedade; enfim, da pressão da faculdade por trabalhos perfeitos e alunos exemplares...
Cansei de tudo isso, quero jogar tudo pro ar: preocupações, tristezas, solidão... E quer saber, é isso mesmo que eu vou fazer! Quer dizer, daqui a pouquinho... As férias estão aí, chegando, virando a esquina. Já consigo sentir ela aqui pertinho. E, ah, como eu gosto de férias... Eu adoro férias, quer saber, amo férias. Já estava com tantas saudades das férias, por que demorou tanto?
Agora eu vou descansar, voltar pra minha terrinha, pro interior – que é aonde eu pertenço -, vou comer a comida da mãe, pescar com meu pai, jogar videogame com minha irmã e correr com meu cachorro...
Vou fazer o que me der vontade, vou sair e voltar só ao amanhecer, ou ir dormir antes das 10. Vou tomar muito sorvete, e depois caminhar durante horas pra perder os quilinhos extras. Vou fazer gracinha pro meu vizinho de 2 anos. Vou visitar meus avós e ficar sentada na varanda com eles a tarde inteira.
Vou aproveitar esse tempinho, tão pequeno, tão pouquinho, mas que me faz passar por todo um ano de responsabilidades. Agora, que se danem as responsabilidades! Nesse curto tempo, eu volto a ser a filhinha da mamãe, a garotinha do vovô, a menina simples, ingênua do interior; simples e ingênua sim, mas feliz!
E viva as férias!!

ps: adoro criancinhas fofas...

segunda-feira

A volta dos que não foram

  A história desse blog está meio "A volta dos que não foram", mais precisamente o recomeço do que não começou... Num desses impulsos da vida criei o blog, mas desanimei muito rápido - geminiana - e deixei o blog as moscas. Agora o ânimo voltou.
  Espero que continue postando desta vez, prometo que vou tentar. Esse é um dos meus projetos para férias (é, já tenho vários). 
  Então tenham paciência comigo, sou novata nesse negócio de blog. Mas vou me esforçar... 
  Logo terei novidades ou não.


I'll be back...

domingo

A caixinha


             A menina desceu as escadas correndo, a felicidade da descoberta estampada em seu rosto. Parou logo atrás da mãe, que estava preparando o almoço.
            - Mamãe! Olha isso!
            - Agora não posso filha, tenho que cuidar a panela. O tom de voz foi suave, e as palavras ficaram ao lado da criança, olhando-a com o canto do olho, com medo de sua reação.
            - Mas mãe...
            - Depois Manuela.
            Manuela foi para o quarto, e ficou admirando a caixinha recém descoberta. Era tão bonita, pensou enquanto a levantava para ver como era embaixo. Ficou lá, imaginando o que a linda caixa conteria, já que não podia abrir. Devia ser algo tão lindo quanto a caixinha.
            A mãe a chamou para o almoço, e esqueceu completamente de que a filha tinha pedido para ela olhar alguma coisa. A tarde, sentiu falta da filha, que não estava correndo pela casa como era o costume. Foi procurá-la.
            - Por que não foi brincar querida?
            - Estava te esperando mãe. Você disse que ia ver depois, lembra?
            Você não se esqueceria de mim, esqueceria?
            - Claro filha, o que você queria me mostrar?
            - Isso mãe! As palavras não foram ditas, foram sorridas, tamanha era a alegria da menina. Ela esticou as mãos e entregou a caixinha à mãe.
            Quando viu a caixa, foi como se um filme passasse na frente da mãe, era um filme feito de lembranças.
            A primeira delas era de quando ela tinha 5 anos. Ao voltar do enterro do vovô, vovó subiu para o sótão com uma pequena caixa coberta por lindos desenhos. A então garota – Julieta – ficou muito curiosa, e pediu se podia ver a caixinha. A avó, que sempre tinha as palavras certas, respondeu:
            - Quando você estiver pronta, você verá.
            - Mas por que eu não posso ver agora?
            - Porque ainda não está pronta.
            Ela sempre teve esse ar misterioso, acho que era por isso que Julieta gostava tanto dela.
            A segunda lembrança era no hospital, ela estava sentada ao lado da cama, e a avó respirava suavemente ao seu lado, como sempre fazia. Ela acordou e olhou para o lado, sorriu.
            -Acho que agora você está pronta.
            - Pronta para quê?
            Ela não respondeu, apenas sorriu e estendeu a mão para a gaveta, a abriu e tirou uma pequena chave de lá. Ela era antiga e com alguns detalhes que pareciam anjos. Julieta pegou a chave sem entender o que aquilo significava.
            - O que é isso vovó?
            - Você está pronta. Disse ela com um suspiro.
            Então ela virou para o lado e dormiu, com um sorriso no rosto. Uma semana depois, ela não acordou.
            Julieta guardou a chave na gaveta de meias, pois não sabia o que fazer com aquilo. Mas agora ela conseguia entender.
            Você está pronta.
            Ela pegou a menina pela mão.
            - Vem comigo.
            Elas foram até o quarto e a mãe pegou a chave, ela estava no conto da gaveta, e foi difícil encontrá-la.
            Ela colocou a chave no cadeado e girou.
            O cadeado se abriu.
            Dentro da caixinha havia algumas fotos antigas, um broche, um par de brincos e uma carta.
            Manuela pegou o broche e ficou admirando, e Julieta começou a olhar as fotos. Em todas elas estava a sua avó e mais um homem que a moça não conhecia.
            - Quem é esse homem bonito, mamãe? É o bisavô?
            - Não querida, é um amigo da sua bisavó. Onde você encontrou a caixinha amor?
            - Lá em cima mãe, no meio de um monte de caixas. Disse a menina apontando para o teto.
- Por que você não vai brincar lá fora?
            - Está bem mamãe.
            A menina saiu pulando do quarto, mas não antes de dar uma última olhada nas fotos.
            - A bisa tinha um amigo bonito.
            Quando a menina saiu, Julieta pegou a carta e começou a ler.
            Querida filha, ou Julieta:
            Por favor, não fique braba comigo, preciso que entenda que tudo que vou lhe contar aconteceu numa época totalmente diferente da sua, com diferentes costumes e em um lugar diferente: na Itália.
            A letra era desenhada, com um traçado fino e levemente inclinada para a esquerda, e Julieta reconheceu imediatamente a letra da avó.
            O que vou lhe contar agora não contei a mais ninguém, e sei que será difícil para aceitar, mas espero que você não me odeie por isso.
            Você deve ter visto as fotos que estavam na caixa, e, se o fez, deve estar se perguntando quem é homem das fotos. O nome dele é Artur e a história que vou contar é sobre mim, sobre ele, e sobre um amor impossível.
            Eu conheci Artur quando tinha 17 anos, nesse período já estava noiva do Joaquim, mesmo contra minha vontade. Quando vi Artur, senti meu coração acelerar, e percebi que era com ele que queria passar o resto da minha vida. Nós estávamos num baile, e Joaquim não tinha podido ir, pois estava com um resfriado, mas insistiu para que eu fosse, e foi o que fiz.
            Como estava sozinha na mesa, Artur me convidou para dançar, e me contou que ele trabalhava na casa onde estava havendo o baile, e morava ali também. Durante a dança eu torci o pé, e ele gentilmente me levou para seu quarto para colocar gelo no meu tornozelo.
            Você deve imaginar como isso era errado na época, mas eu era apenas uma menina, e não me importei com o que as pessoas poderiam falar.
            O quarto onde ele me levou era pequeno, com uma cama e um pequeno guarda-roupa. E simplesmente não pude evitar, eu estava realmente apaixonada por ele, e acabei dormindo com ele.
            Felizmente ninguém viu e pude me sentir tranqüila por algumas semanas até que descobri que o que fizemos havia dado frutos. Eu estava grávida. Fiquei apavorada, e pedi para que o casamento fosse realizado mais cedo. Joaquim não entendeu o porquê, mas atendeu meu pedido, em uma semana nós nos casamos e eu pude dizer que o filho que esperava era de meu marido.
            Um ano e meio depois, quando eu achei que minha vida tinha se acertado, eu voltei a encontrar Artur, fomos convidados para um almoço na mesma casa do baile. Ao chegarmos lá Artur estava nos esperando, vestindo um elegante paletó. Não pude esconder meu espanto, para disfarçar comecei a brincar com Antonieta, que estava no meu colo.
            Depois desse almoço nos encontramos muitas vezes ainda, e foram nessas ocasiões que tiramos as fotos que estavam na caixa. Eu nunca contei que Antonieta era sua filha, mas acho que ele sempre soube. Então nós nos mudamos para o Brasil, no dia anterior a partida nos encontramos pela última vez com Artur. Ele pediu para falar a sós comigo, e Joaquim deixou, pois confiava muito no amigo.
            Ele me levou até a fonte no jardim da casa e me entregou o broche e os brincos, e então fez a pergunta que eu temia que fizesse.
            - Joaquim é o pai de Antonieta?
            Eu hesitei por um instante, pensando se deveria contar a verdade. E ele entendeu.
            - Eu sabia que ela era minha filha. Disse com um lindo sorriso e lágrimas nos olhos.
            - Como sabia?
            - Ela tem o meu nariz.
            Quando estava saindo, ele me segurou pela mão.
            - Por favor, fique.
            - Você sabe que eu não posso. Adeus.
            Eu fui embora sem olhar para trás. Acho que se o fizesse não conseguiria ir. Depois desse dia nunca mais o vi.
            Não entenda mal. Joaquim foi um marido excelente, mais do que eu merecia. Mas a paixão da minha vida foi Artur.
            Agora está em suas mãos decidir se você quer procurá-lo ou não.
            Está é minha história, agora é a sua vez de escrever a sua.
            Quando colocou a carta na caixa, Julieta estava tremendo.
            - Vou tomar banho mamãe.
            - Está bem querida.
Ela secou os olhos com as costas das mãos e foi preparar o jantar.
“... agora é a sua vez de escrever a sua.”