Chegou o grande dia. Depois de tanto esforço, tantos ensaios, é a hora de mostrar o resultado. A menina se concentra, alonga uma perna, e sorri. Sorri ao pensar que em alguns segundos estará no palco. Ela alonga a outra perna, ainda pensando na emoção de aparecer em frente a tantas pessoas. Solta a perna. Chega de alongar...
Ela checa o figurino. Tudo certo! Coloca a sapatilha. Ah, a sapatilha, ela se sente tão bem com a sapatilha, é como se seu pé e ela fossem um só, às vezes parece que seu pé sente falta dela, pede por ela. E quando a menina finalmente coloca a sapatilha, ela sente que agora está completa. Estou pronta!
-Agora é a sua vez!
-Está bem, já estou indo.
A menina sobe no palco, e, enquanto as cortinas se abrem, ela sente o sangue – não, a adrenalina – correndo por todos os seus músculos. E ela se sente mais viva do que nunca, nesses segundos antes de a música começar, é quando ela tem certeza de que é isso que ela quer fazer durante toda a vida, é isso que dá sentido a sua existência, isso que a define: a DANÇA.
E então, quando a menina ouve a primeira nota, seu corpo começa a se movimentar no ritmo perfeito, ela não precisa pensar no que fazer, ela apenas faz, é natural, é como deveria ser. Ela sabe que todos os olhos estão nela agora, que o silêncio absoluto no grande teatro é em função dela, e ela gosta disso, ela vive para isso...
E enquanto ela dança, ela se sente tão leve, que, por alguns instantes, acredita que pode voar. E quem assiste tem a certeza: ela PODE voar!

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